quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sujeito e Subjetividade



      
Dentro da psicologia a palavra subjetividade recebe várias definições para conceituar aquilo que consideramos: psiquismo, mente,  processos cognitivos, entre outras definições. Isso é relativo à abordagem em questão. Cada teoria psicológica compreende o ser humano e suas especificidades também de formas distintas, então, consequentemente aborda a palavra subjetividade dentro da sua visão.
      A minha proposta nesse texto é falar da subjetividade dentro da Perspectiva Sócio-Cultural, desenvolvida por Vygotsky e ampliada por autores que compartilhavam das ideias do mesmo. Para  Vygotsky as psicologias do século XIX estavam voltadas para aspectos mais materialistas, mecanicistas e não considerando o sujeito em sua totalidade, separando de seus aspectos singulares.
     Vygotsky (1993 citado por Brabo & Rossete) abriu caminho para uma psicologia que possibilitasse a construção de um sujeito social, por meio da compreensão da constituição desse sujeito e da subjetividade na processualidade.
      O sujeito se constitui através da sua interação com o mundo, e não apenas de forma privatizada, e é através dessa conversação do seu eu com o social que ele passa a ser reconhecer e a reconhecer o eu do outro. Assim o sujeito e subjetividade são particularidades das relações sociais. A subjetividade é construída por todas as experiências  que vivenciamos durante a vida e se moldam constantemente.
      A subjetividade manifesta-se, revela-se, converte-se, materializa-se e objetiva-se no sujeito. Ela é processo que não se cristaliza, não se torna condição nem estado estático e nem existe como algo em si, abstrato e imutável. É permanentemente constituinte e constituída. Está na interface do psicológico e das relações sociais. (MOLON, 2003, p 68).
Para continuar com esse raciocínio, que aqui citar um dos autores , muito importante que deu segmento a essa abordagem de Vygotsky, formulando a Teoria da Subjetividade.
      González Rey, com intuito de fazer uma psicologia mais humanizada desenvolveu seus conceitos a partir do autor citado anteriormente, priorizando a produção de sentidos subjetivos dos sujeitos e de suas configurações na sociedade.

      A partir do viés da perspectiva histórica, podemos entender a subjetividade como um sistema complexo que engloba categorias internas do sujeito,  abrangendo as experiências e contornos da vida. A subjetividade também é a forma como o sujeito se desenvolve no seu contexto social e individual.
      A subjetividade se produz sobre sistemas simbólicos e emoções que expressam de forma diferenciada o encontro de histórias singulares de instâncias sociais e sujeitos individuais, com contextos sociais e culturais multidimensionais (GONZÁLEZ REY, 2004, p. 137).

      A teoria da subjetividade desenvolvida por  González Rey, nos remete em seus escritos que o ser humano é capaz de se produzir significativamente com seus recursos particulares e singulares, gerando configurações subjetivas, que podemos descrevê-las como a nossa personalidade que está em constantes mudanças, pois nunca somos os mesmo, a todo momento estamos em processo de subjetivação.  Não podemos nos esquecer dos sentidos subjetivos, que são produtos da visão que temos do mundo, a partir do sentindo que encontramos para viver, criar e pensar.


Sobre Fernando Luis González Rey , um pequeno resumo: é formado em Psicologia (1973) na Faculdade de Psicologia da Universidade de Havana, doutor em Psicologia (1979) pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou e pós-doutor em Psicologia (1987) pelo Instituto de Psicologia da Academia de Ciências de Moscou.

REFERÊNCIAS