Dentro da psicologia a palavra subjetividade recebe várias definições para conceituar aquilo que consideramos: psiquismo, mente, processos cognitivos, entre outras definições. Isso é relativo à abordagem em questão. Cada teoria psicológica compreende o ser humano e suas especificidades também de formas distintas, então, consequentemente aborda a palavra subjetividade dentro da sua visão.
A
minha proposta nesse texto é falar da subjetividade dentro da Perspectiva Sócio-Cultural,
desenvolvida por Vygotsky e ampliada por autores que compartilhavam das ideias
do mesmo. Para Vygotsky as psicologias
do século XIX estavam voltadas para aspectos mais materialistas, mecanicistas e
não considerando o sujeito em sua totalidade, separando de seus aspectos
singulares.
Vygotsky
(1993 citado por Brabo & Rossete) abriu caminho para uma psicologia que
possibilitasse a construção de um sujeito social, por meio da compreensão da
constituição desse sujeito e da subjetividade na processualidade.
O
sujeito se constitui através da sua interação com o mundo, e não apenas de
forma privatizada, e é através dessa conversação do seu eu com o social que ele
passa a ser reconhecer e a reconhecer o eu do outro. Assim o sujeito e
subjetividade são particularidades das relações sociais. A subjetividade é
construída por todas as experiências que
vivenciamos durante a vida e se moldam constantemente.
A subjetividade manifesta-se, revela-se, converte-se, materializa-se e
objetiva-se no sujeito. Ela é processo que não se cristaliza, não se torna
condição nem estado estático e nem existe como algo em si, abstrato e imutável.
É permanentemente constituinte e constituída. Está na interface do psicológico
e das relações sociais. (MOLON, 2003, p 68).
Para
continuar com esse raciocínio, que aqui citar um dos autores , muito importante
que deu segmento a essa abordagem de Vygotsky, formulando a Teoria da
Subjetividade.
González
Rey, com intuito de fazer uma psicologia mais humanizada desenvolveu seus
conceitos a partir do autor citado anteriormente, priorizando a produção de
sentidos subjetivos dos sujeitos e de suas configurações na sociedade.
A
partir do viés da perspectiva histórica, podemos entender a subjetividade como
um sistema complexo que engloba categorias internas do sujeito, abrangendo as experiências e contornos da
vida. A subjetividade também é a forma como o sujeito se desenvolve no seu
contexto social e individual.
A
subjetividade se produz sobre sistemas simbólicos e emoções que expressam de
forma diferenciada o encontro de histórias singulares de instâncias sociais e
sujeitos individuais, com contextos sociais e culturais multidimensionais
(GONZÁLEZ REY, 2004, p. 137).
A
teoria da subjetividade desenvolvida por
González Rey, nos remete em seus escritos que o ser humano é capaz de se
produzir significativamente com seus recursos particulares e singulares, gerando
configurações subjetivas, que podemos descrevê-las como a nossa personalidade
que está em constantes mudanças, pois nunca somos os mesmo, a todo momento
estamos em processo de subjetivação. Não
podemos nos esquecer dos sentidos subjetivos, que são produtos da visão que
temos do mundo, a partir do sentindo que encontramos para viver, criar e
pensar.
Sobre Fernando Luis González Rey , um
pequeno resumo: é formado em Psicologia (1973) na Faculdade de Psicologia da
Universidade de Havana, doutor em Psicologia (1979) pelo Instituto de
Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou e pós-doutor em Psicologia (1987) pelo
Instituto de Psicologia da Academia de Ciências de Moscou.
REFERÊNCIAS